domingo, 13 de maio de 2007

Liberdade

Vinte e cinco anos. Algumas rugas prematuras. Um punhado de cabelos brancos. Uma vida inteira desperdiçada. E esperança nenhuma.
Nas mãos, sangue de todos os tipos e fatores. Sangue de culpados e inocentes. Sangue de homens e mulheres. De velhos e crianças. Almas se debatiam entre as pontas dos seus dedos. Na mão esquerda, o peso da arma.

A possibilidade do fim o assustava. Mas não tanto quanto o medo de continuar vivendo. Aprendera no primário: menos vezes menos é igual a mais. Mentira! Na vida, tudo é sempre menos!
Olhou para a porta dos fundos. O buraco da fechadura lhe encarava, com seu dedo de luz acusador.
O indicador moveu-se na direção do gatilho. Era reconfortante a quase nenhuma resistência ao movimento. Quase não ouviu o barulho. Suavemente, seu corpo desceu em direção ao chão. Carpete. Sua alma, porém, continuou em queda. Além, muito além dos limites do real.




http://moacircaetano.zip.net

11 comentários:

diovvani mendonça disse...

Sua prosa é das melhores!
Olha, andei engarrafando alguns de seus poemas, para colocar na sombra da minha árvore - lá em casa. Se puder envie-me um e-mail no diovvani@yahoo.com.br - quero lhe enviar umas fotos. AbraçoDasMinas

Fernando Palma disse...

Olá Moacir!

acabo de conhecer o teu canto de prosas. Mas quanta coisa forte, hein? Comecei a ler e parei em "Primeira vez" ... você fez baseado no outro texto do blog que lincou lá? Ou seja, um complemento? Foi isso?

Vou dar um intervalo pra respirar, depois volto mais...

Grande abraço!

Fernando Palma disse...

Ficou muito bom. Grande ideia essa a sua!
Se realmente gostaria de dedicar um poema ao meu texto, pode chamar o personagem de Julia. É o nome de personagens meus que mais gosto :)

Depois n esqueça de avisar-me.

Grande abraço, poeta!

Claudinha disse...

Olá Moacir,
Fiquei feliz com sua visita e vim conhecer sua prosa. Gostei muito e pretendo voltar. Vi o link todo poesia e vou lá verificar também. Este seu último texto mexeu comigo por conta de uma experiência pela qual passei quando recém formada. Se quiser conferir está lá no TP, no link: http://transmimentos.blogspot.com/2006/08/lembrana.html#links
Você será sempre bem vindo no TP.
Beijo!

IsaBellinha disse...

Forte, marcante, realidade pura.

:D

André Gonçalves disse...

mas dia 13 foi dia da libertação. lembra da isabel?

Chama Violeta disse...

Dizei muitas vezes ao dia:

“Eu Sou uma coluna de Fogo Violeta, um foco de luz da energia cósmica, que consome tudo o que é negativo”.

Beijos de luz e fica bem...

Jéssica disse...

Ando saudosa de te ler, mas estou em tratamento de saúde, desculpe a ausência. Beijo*.*

Saramar disse...

Moacir, este personagem me lembrou um de João Ubaldo, em "O Sorriso do lagarto", pela sensibilidade raramente aliada a um matador.
Aliás, nem João Ubaldo pensaria em uma liberdade assim, tão necessária.
Maravilhoso!

beijos
P.S. Perdoe minhas ausências, por favor. Estou acamada, com uma daquelas gripes fortíssimas.

Paula Negrão disse...

Ficou ótimo! =]
Mas venha cá, me conte esse seu segredo: que imaginação (e inspiração, tb) fértil é essa que você tem, como consegue?
hahahahaa


beeeijos

Juliana Novaes disse...

Tudo muito bom.
qualidade.

Prazer.

Beijos

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