quinta-feira, 28 de junho de 2007

UNFAIRY TALE

Tinha nojo de homens.
Não que não gostasse... gostava... e muito! Gostava do jogo de sedução masculino. Adorava a mente infantil dos homens. Gostava da agitação suada de seus movimentos. De sua necessidade de aceitação. De sua sede de poder. E de sua quase sempre inabilidade com os sentimentos mais profundos.
Mas simplesmente tinha nojo!
Não, não era lésbica...
Não lhe agradava o toque macio da pele feminina, nem a clarividência tão típica das mulheres. Não sonhava com os beijos e abraços de bocas mulherescas. Definitivamente não era lésbica.
E por ter nojo de homem - e não desejar de maneira alguma uma mulher - vivia sozinha.
Nunca namorara. Nunca trocara carinhos de adolescente. E assim tinha aprendido a viver. Como alguém a quem tivessem extirpado as amígdalas, ou o apêndice. Na verdade era um pouco mais desagradável... como se tivesse nascido sem dentes! Isso! Péssimo, mas... acostuma-se.
Um dia se apaixonou. O homem perfeito! Poesias, flores e flertes. Abria a porta do carro. Ligava todos os dias. Olhava-a com um olhar infinito de promessas e desejos. Mas tudo na medida certa. Nada ali sobrava ou faltava. Nunca se excedia. Nunca se esquecia.Paciente. Podia esperar por horas numa fila, e ainda assim exibir um sorriso apaixonado. Amigo. Companheiro. E na cama, um furacão!
Primeira vez. Primeiro beijo. Primeiro toque. Estremeceu. Um abraço... seu estômago embrulhou-se. Os lábios se roçaram. Vomitou.
Ele ainda entendeu, apesar do desagradável da situação. Disse que lhe desejava sorte. Disse que estaria sempre à espera. Disse um respeitoso "Eu te amo". E ela chorou.
Ao chegar em casa, cortou os pulsos. E morreu pensando nele.

2 comentários:

Rafael disse...

Ai, que poxa!
O.o

Claudia Perotti disse...

Nossa! Essa foi forte!
Não o perderei de vista!

Beijinhossss

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